quarta-feira, 15 de junho de 2011

SUSPIRO - Página 13

- Não é coisa da minha cabeça! Bem que eu queria que fosse! – explicou Sarah – Isso é real!
- Gente! Esqueçam isso! – falou Claire, já sem paciência – Isso não está acontecendo conosco! Isso está acontecendo com aquela família!
Sarah observava todos discutindo quando, por fim, disse:
- Onde estão eles?
- Eles quem? – gritou Alice
- Jack e Chloe McStill. Temos que encontrá-los! Eles serão os próximos.
- Sarah! – gritou Claire – Pare com essa paranóia! Eu, além de sua assessora, sou também a sua amiga! Você tem que se decidir! Você quer ficar remoendo tudo isso ou quer ser feliz?
- Claire, por favor... – começou a dizer Sarah – Aquelas crianças correm perigo!
- Você tem um emprego e um nome a zelar. Não pode se envolver nisso. Você tem que se decidir.

Sarah estava com medo. Medo do que podia acontecer se ela decidisse ajudar as crianças.
Ela poderia continuar a sua vida tranquilamente, sendo feliz em Nova York ao lado da sua fiel assessora, de seu futuro namorado e de sua diretora de TV. Ela poderia ter filhos. Poderia finalmente ter uma vida normal.

Sarah respirou fundo e num momento de impulso, tomou a sua decisão:
- Vou ajudar Chloe e Jack McStill !

SUSPIRO - Página 12

- O que? Não! Você tem que ir para sua casa e descansar! Sarah! Eu marquei duas entrevistas pra você essa semana. Se você ficar preocupada com isso que está acontecendo, você vai ficar estressada e se você ficar estressada você vai ter rugas! Não quero que você esteja feia no dia da entrevista! – Claire olhou para Sarah esperando que ela dissesse algo. Sarah nada disse, então Claire continuou – Investigar essas mortes é trabalho da policia. Se a família McStill está morrendo em acidentes estranhos isso é problema deles!
- Claire! Você vai me levar ou não?
O garçom se aproximou e serviu o café com creme juntamente com os dois croassant que Claire havia pedido. Claire esperou que ele se afastasse e depois falou:
- Eu como sua assessora, não vou permitir que você vá para esta emissora agora! Amanhã mesmo eu vou marcar uma estadia para você em um ótimo SPA que eu conheço.
- Claire! Você não é a minha mãe! – Sarah olhou em volta, tomando cuidado para que ninguém ouvisse sua conversa – E mesmo se fosse minha mãe, eu já sou maior de idade e sei tomar minhas próprias decisões! Se você não quiser me levar em seu carro até a emissora, eu pego um táxi! Então? Você vai me levar?

Sarah e Claire chegaram na emissora em menos de dezessete minutos.

A Ferrari vermelha de Brad estava estacionada ao lado da BMW de Alice.
Sarah corria pelos corredores procurando por Brad e Alice, enquanto Claire vinha atrás dela tentando acalmá-la.

Quando finalmente dobrou o corredor 9, Sarah os encontrou.
Brad correu para abraçá-la. Sarah começou a chorar.
- Eu te disse! Eu te disse, Brad! – falava Sarah enquanto ainda estava abraçando Brad.
Claire cumprimentou Alice e Brad dizendo:
- Eu tentei impedir, mas ela disse que queria vir para cá! Ela esta atordoada!
- Como Maggie morreu? – perguntou Sarah
- Segundo a perícia, ela morreu de asma brônquica. – respondeu Brad
- Asma? – Até mesmo Claire achou estranho.
- Já está em todos os noticiários! – falou Alice – Isso vai arruinar a emissora!
- O mais estranho de tudo... – Brad começou a falar mas não quis continuar.
- O que é estranho, Brad? – perguntou Sarah completamente perplexa
- O mais estranho – continuou Brad, meio que desajeitado – é que aos 64 anos, a senhora Maggie McStill nunca tinha tido asma antes.
- Isso não é possível! – disse Claire – Você deve estar enganado, Brad. Se ela morreu de asma, logicamente ela deve ter tido asma antes.
- Não, ela nunca teve. – falou Brad
- Como você tem tanta certeza?
- A própria perícia disse isso!
Claire não tinha mais o que falar.
- É claro que ela nunca teve asma antes. – falava Sarah consigo mesma – Assim como Richard e Abby, Maggie foi assassinada!
- Sarah, não comece com essa história outra vez! Por favor. – pediu Claire
- Sarah tem razão! – disse Brad.
Todos olharam para Brad. Até mesmo Sarah estava surpresa. Brad acreditava nela agora.
- Por favor parem com isso! – insistiu Alice – É loucura! Sarah eu te entendo, eu sei tudo o que você passou e entendo a sua luta para superar isto, mas achar que uma série de acidentes fatais são assassinatos, isso é loucura!

SUSPIRO - Página 11

Sarah a observava aflita. Claire estava tensa e mexia bastante os braços enquanto conversava no telefone.
- Pronto! – disse o fotografo – Vinte e sete fotos perfeitas! Você pode se trocar agora senhorita Sarah!

Sarah foi direto a Claire. Quando se aproximou só conseguiu ouvir Claire dizer:
- Vou fazer o que está em meu alcance! Adeus!
Claire tomou um susto ao virar-se e dar de cara com Sarah. Seus cabelos negros e lisos eriçaram.
- Quem era? – quis saber Sarah
- É...é... -  Claire sem querer gaguejou – Não era ninguém importante...
- Claire! Quem era?
- Era a diretora do seu programa!
- Alice?
Claire fez que sim com a cabeça.
- O que ela queria comigo? Hoje é domingo.
- Ele pensou que talvez você estivesse com Brad. Ela precisava falar com ele.
- Sobre o que?
- Não s-sei  - Claire hesitou
- Claire, o que ela queria com o meu ... – Sarah percebeu que quase ia dizer meu namorado – com o Brad. Eu sei que você quer me esconder algo!
- Olhe Sarah! Não quero que você fique perturbada com essas coisas. Você está no auge da sua carreira! 
- Você está me deixando nervosa! Diga logo!
- Maggie morreu!
A sala toda ficou em silêncio.

Um calafrio percorreu por todo o corpo de Sarah até parar em sua garganta.
- Maggie McStill está morta!
- Como? Como ela morreu? – Sarah parecia não acreditar.
- Sarah, é melhor você se trocar! Depois que sairmos daqui iremos conversar em lugar mais apropriado.
Sarah percebeu que todos no estúdio olhavam para ela e para Claire.

Ela trocou de roupa rapidamente e nem se lembrou de tirar a maquiagem.
Saindo dali, Sarah e Claire foram até uma padaria. Sentaram-se em seus lugares. Claire pediu um café com creme e dois croassant.
- Como ela morreu?
O rosto de Sarah estava pálido e suas mãos tremiam.
- Eu não sei! – respondeu Claire - Está vendo, Sarah! É por isso que eu não queria te contar! Você vai ficar o dia inteiro parecendo um louca querendo saber o que aconteceu com Maggie McStill.
Sarah ficou um tempo sem dizer nada. Depois de uns quatro minutos respirou fundo e disse:
- Brad já sabe?
- O celular dele está desligado mas, a essa altura, Alice já deve ter conseguido entrar em contato com ele!
- Me leve para a emissora! – falou Sarah
- Que emissora?
- A emissora que eu trabalho, é lógico!

SUSPIRO - Página 10

Brad esperou até que ela entrasse em sua casa e depois foi-se.

Sarah acordou com o som de seu celular tocando. Ela olhou no relógio antes de atender. Eram 12:47.
- Alô! – disse Sarah ao atender
- Oi dorminhoca! – disse uma voz um tanto irritante. Sarah logo reconheceu quem era.
- Bom dia Claire!
- Bom dia? Você quer dizer boa tarde, não é Sarah.
- Nem venha... Ontem eu cheguei tarde em casa e só acordei agora.
- É, eu percebi! Depois você olha o monte de vezes que eu te liguei... – Claire deu uma pausa – Mas o que você fez ontem á noite?
- O que? Você é muito curiosa, sabia! Não é porque é minha assessora que precisa saber aonde eu vou ou deixo de ir!
- Nossa! Como você está grossa hoje!
- Enfim ... Pra que você me ligou?
- Marquei duas entrevistas pra você quarta-feira, depois do jornal. Pode ficar tranqüila, porque eu mesma fiz questão de separar o seu ‘look’! Uma entrevista será 17:30 e a outra 21:00! Portanto não marque nenhum compromisso sem antes me avisar! Ah! Já estava me esquecendo! Você tem uma seção de fotos daqui á duas horas. Eu passo ai na sua casa e te pego.
- Tá O.k.! Qualquer coisa me ligue. Tchau!
- Tchauzinho !

O tempo passou rápido de mais, até mesmo para Sarah. Só teve tempo de tomar banho, tomar um bom café da manhã, se trocar, e varrer um pouco a casa. Sarah não gostava de diaristas nem de empregadas, portanto ela sempre cuidava dos trabalhos domésticos.

Claire e Sarah chegaram no estúdio fotográfico atrasadas. No centro da sala onde Sarah ia tirar fotos havia um tapete branco, três poofs pretos e um pano vermelho-escuro cobrindo a parede. Claire arrancou a roupa das mãos da figurinista e mandou que Sarah a vestisse.

O ensaio fotográfico foi entediante. A todo momento o fotografo mandava Sarah trocar de posições: “Ande querida! Por Aqui! Não por ali! Dê um sorriso! Não assim não! Agora coloque uma das pernas em cima do segundo poof! Não! Um pouco mais para a esquerda! Agora um pouco mais para a direita!”
Sarah olhou para Claire enfurecida.
- Uma pausa! – disse Claire – Sarah precisa descansar!
O fotografo não gostou muito da idéia e saiu resmungando algo do tipo: “Esses artistas de hoje acham que podem tomar todo o meu tempo”.

- Ele está me matando! – sussurrou Sarah para Claire
- Ora, Acalma-se! Ele quer que você saia perfeita nas fotos!
- Acontece que eu não sou perfeita! Ninguém é!
- Querida! Acredite em mim, hoje em dia com photo shop todo mundo é perfeito!
Sarah sorriu.
A seção continuou. Sarah não desgrudava os olhos de Claire, com medo de que ela fosse embora e a deixasse em apuros com aquele fotografo.

Algo na bolsa de Claire vibrou. Ela tirou da bolsa o celular de Sarah, afastou-se e atendeu.

SUSPIRO - Página 9

Capítulo 3
Decisão

O nome do restaurante estava escrito em francês: La Lumière Du Jour, que em português quer dizer: Luz do Dia. Por dentro estava totalmente lotado.

As paredes eram feitas de pedras, o que dava a impressão de estarem em algum antigo templo grego.
-          Comment puis-je lês aider? – perguntou um garçom
-          É ... – Sarah não tinha a mínima idéia do que responder. Ela Tinha aprendido a falar inglês, português, espanhol, russo e italiano mas nunca francês.
-          Bonjour, je suis Brad Lopes. J’ai été celui qui a appelé plus tôt em faisant la reserve – falou Brad.
-          Oui! Ici! Je vais suivre! – respondeu o garçom que os conduziu até uma mesa com vista para a cidade.
-          Que bom que você sabe falar francês... se não estávamos perdidos – falou Sarah, sorrindo, após o garçom sair.
-          Já disse que está linda hoje?
-          Já... Duas vezes no carro e uma na hora que entramos no restaurante...
Sarah e Brad sorriram. Brad pegou em sua mão.
- Mas eu não me canso de repetir! Você está linda! – Brad beijou a mão de Sarah.
Sarah arrepiou e sentiu vontade de sair dali com vergonha como uma adolescente de 15 anos. Ela baixou os olhos para o cardápio. Brad segurou seu queixo. Os dois se encontraram face a face. Poucos centímetros para uma boca se encontrar com a outra.
“ É agora!!!!” pensou Brad.
- Qu’ils aimeraient poser? – gritou o garçom ao lado de Brad.
Sarah deu um pulo. Brad olhou para o garçom como se quisesse dizer “ Eu te mato!! ”, mas respirou fundou uma ou duas vezes e disse:
- Pour l’instant je faire un bon vin!
O garçom saiu desajeitado.

Brad tentou se aproximar de Sarah novamente, mas ela não deixava. Ela estava com medo de que aquele garçom estúpido aparecesse de novo.
Os dois desfrutaram de um bom vinho francês ao som de uma boa música.
No final do encontro, Brad deixou Sarah na porta de sua casa.
- Obrigada Brad! – disse Sarah dando um beijo em seu rosto. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 8

- Você tem que se acalmar Sarah! – insistia Brad – Me diga, o que Walter Holt disse a você? Se ele tiver te dito alguma coisa, eu juro que eu...
- Não Brad! – Sarah o interrompeu – Eu já passei por isso entende!
- Vá pra casa descansar, Sarah – continuava a insistir Brad – Relaxe e fique bem bonita pro nosso encontro hoje a noite. – Brad sorriu.
- Olhe! Eu vou embora mesmo. Eu nem sei por que eu vim parar aqui! Eu nem sei por que eu achei que podia confiar em você e me desabafar com você!
- Sarah eu não estou te menosprezando! Jamais! Só não quero que você se encabule com isso e fique louca pelos cantos.
- Escute o que vou te dizer! Isso não foi um acidente! - Sarah olhou fixamente nos olhos de Brad esperando que ele dissese algo. Ele nada disse. Então ela continuou – Eu vou embora e me arrumar pro nosso encontro.
Sarah deu um beijo no rosto de Brad e foi-se.

Chegou em casa e abriu seu notbook. Pesquisou no Google: Família McStill.
Leu vários artigos sobre a família.
Depois de fechar o notbook disse para si mesma:
- Richard e Abby McStill já eram agora só restam os filhos Jack e Chloe, e a avó Maggie.

Sarah passou a tarde inteira atordoada. Mal conseguiu se arrumar sem ter pensamentos ruins

“Está acontecendo tudo de novo” pensou Sarah “os assassinatos, a matança...tudo de novo! Só que desta vez não é comigo...é com a família McStill”

SUSPIRO - Página 7

Os outros e-mails eram de fãs. Sarah leu uns 36 e ficou com preguiça de ler o resto. Excluiu todos e desligou o notbook.
Ela sentou no sofá, e ligou a TV.

“[...]segundo informações da polícia ela teria se enrolado, por acaso, em uma linha solta do cobertor e sido estrangulada por si mesma até a morte” disse a repórter no canal 3.

Sarah pegou o controle para mudar de canal.
“Realmente uma terrível fatalidade do destino” – disse o outro repórter – “Primeiro o assassinato do marido e agora a esposa morre acidentalmente enforcada. O que será da família McStill?”

Sarah deixou o controle cair.
“Pobre Abby McStill.” – disse o a primeira repórter -  “Uma mulher tão respeitada em todo mundo...”
- Oh meu Deus ! – disse Sarah para si mesma – Como assim? Ela mesma se enforcou?

Sarah tentou ligar para Brad, mas só caia em caixa postal. Ela tirou o carro da garagem e foi procurá-lo.
Sarah parecia uma louca no volante, por pouco não bateu em três carros, quando cruzava a avenida da esquina.
Enfim chegou até a casa onde Brad morava. A empregada abriu a porta e Sarah entrou como uma desesperada.
- Brad ! Brad onde está você? – gritava Sarah.
- Acalme-se minha senhora – falou a empregada
- O que foi ? – disse Brad ao descer as escadas
- Brad! – Sarah o abraçou – Você já soube?
- Infelizmente sim, mas o que aconteceu ? – Brad estava preocupado
- Como assim ‘o que aconteceu’? Abby McStill foi assassinada!
- Claro que não! Eu sei o que está acontecendo! Aquilo não foi um acidente! Pode ter sido um acidente para aqueles policiais idiotas, mas pra mim não! Não é possível uma pessoa inteligente como a senhora Abby McStill ter se enrolado sem querer em uma corda e ter sido enforacada durante a noite!

A empregada lhe trouxe um calmante e um copo d’água. Sarah engoliu o comprido tremendo. Brad tentou acalmá-la.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 6

como um rei sentando no seu trono.
O contra regras se dirigiu em frente as câmeras e disse:
- Todos preparados? E em 6...5...4...3...2...GRAVANDO !!
Os holofotes brilhavam intensamente.
- Boa tarde queridos telespectadores! – disse Walter, dando um enorme sorriso falso. – Estamos começando agora mais um programa diretamente da LSC estúdios, e é com muita honra, que estamos recebendo, nada mais, nada menos que Sarah Larrive!!
Os holofotes agora se miravam em Sarah.
- É um prazer para mim estar aqui no seu programa, Walter – disse Sarah
- É obvio que todos que estão nos assistindo nesse momento, sabem quem é Sarah Larrive e conhecem muito bem a sua história de vida. – Walter deu uma pausa para poder respirar – Ela ganhou muita fama por ser a única sobrevivente do massacre ocorrido a três anos atrás e hoje trabalha como jornalista na televisão. – Walter pausou novamente para respirar e depois se dirigiu a Sarah – E então Sarah... Como é a sua vida hoje em dia ? Você conseguiu superar esse trauma ?
- Bem ... a minha vida hoje em dia é super normal, como a de qualquer outra pessoa, eu tento voltar a ser a mesma Sarah de antes, mas é bem complicado. Quanto ao meu trauma... eu continuo visitando psicólogos todo final de mês e está sendo muito bom pra mim por que eles sempre me fazem refletir sobre o que eu sou e o que me resta pela frente.

O resto da entrevista foi tudo tranqüilo. Sarah conseguiu responder a todas as perguntas de Walter Holt sem se prejudicar, exceto quando ele a perguntou qual era a sua religião e se ela ainda lia a Bíblia Sagrada. Sarah respondeu que não tinha religião e que a Bíblia foi a única maneira que o ser humano encontrou de manipular o próximo.

A entrevista terminou exatamente ás 17:30. Sarah parou em frente ao McDonald’s para lanchar. E depois passou em algumas lojas para fazer compras. No final da tarde o carro de Sarah já estava inundado de sacolas de lojas de grife.
Chegou em casa e tomou um longo banho. Caiu na cama esperando que não houvesse mais pesadelos. Por mais incrível que pareça, ela consegui dormir cedo naquele dia.
Sarah acordou com a luz do sol em seu rosto. Comeu uma ou duas panquecas e abriu seu notbook para ver seu e-mail.
472 novas mensagens. Uma delas era de Brad. Sarah leu:
Não se esqueça de nós!!!! Hoje ás 9 !! Bjos...

Sarah estava mesmo começando a sentir algo por Brad. Às vezes ela se encontrava pensando nos lindos cabelos loiros de Brad , em seus braços, seu corpo.

SUSPIRO - Página 5

Capítulo 2
A Família McStill

Walter Holt fez questão de esperá-la na entrada da emissora LSC. Walter estava com um sorriso tão largo que até mesmo Sarah estranhou.
- Mas que honra! – começou Walter – É um prazer tela aqui na LSC. Depois tenho que ligar para sua emissora em agradecimento por deixarem você vir até aqui.
- Não há de quer Walter – disse Sarah – e você está cada vez mais charmoso. Olhem só! Como os anos lhe fizeram bem, me lembro assistindo o seu programa anos atrás e você não estava tão elegante. – Sarah teve vontade rir. Walter estava tão ridículo usando aquele suéter verde, cujo não o deixava nada esbelto.
- É verdade. Tenho que concordar que estou mesmo irresistível. – disse Walter - Andei fazendo uma ou duas plásticas mas mesmo sem elas eu ainda era realmente bonito. Não é todo homem que consegue chegar aos 50 com essa aparência tão ...
- É melhor entrarmos – Sarah o interrompeu, não agüentava mais escutar tanto absurdo.

Walter a conduziu, mostrando cada canto da emissora até chegar ao estúdio. O cenário era lindo. Um sofá branco feito de couro para os convidados, uma mesa de vidro e uma poltrona para Walter entrevistar as pessoas, e por fim um lustre impecável do século XIX.
- A entrevista é ao vivo e começa em doze minutos. – disse Walter
- Ótimo! Então... Não tem nenhum texto? Alguma coisa para eu ler ou revisar? Eu não quero parecer uma boba se me perguntar alguma coisa que não sei.
- Mas é claro que não! – disse Irina, a diretora do programa, ela estava atrás de Sarah – Fique tranqüila minha querida! É só responder apenas a verdade. Entendeu?
Sarah fez que sim com a cabeça.
- Que graça teria o ‘show business’ se fosse tudo uma farsa. – falou Walter – Deixe tudo fluir de dentro de você.
Sarah sorriu. Ela sabia muito bem o que Irina e Walter queriam: arrancar alguma coisa dela que a deixasse constrangida em público.

Os doze minutos demoraram a passar. Sarah ficou folheando revistas e sendo obrigada a prestar atenção no Walter tinha a dizer.
Enfim o contra-regras gritou: “40 segundos para o programa !!! Todos em seus lugares !”
Sarah se ajeitou no sofá, enquanto Walter sentava-se na poltrona completamente imponente, 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 4

- Olha! Se você quiser pode ir embora descansar. Depois eu digo pra Alice que você teve que sair urgentemente. Mas... Não se esqueça do nosso compromisso amanhã...
- OK! Pode ficar tranqüilo não vou esquecer. Mas eu vou ficar! Depois a Alice pode achar que eu estou com preguiça de trabalhar.
Sarah e Brad não gravaram naquele dia. Ficaram apenas caminhando prá lá e pra cá pelos corredores ajudando aos familiares da família McStill que estavam desamparados.
Depois das  onze da manhã, quando a chuva parou, Sarah foi embora da emissora. Pegou uma carona até a esquina de sua casa. A Ferrari Vermelha de Brad era incrivelmente confortável.
Chegou em casa abatida pelo cansaço. Caiu no sofá e dormiu.
O pesadelo de Sarah começou assim:

Ela estava  andando numa rua deserta, pelo frio que sentia devia estar fazendo cinco graus abaixo de zero.  Sarah começou a correr procurando por alguém. Andou muito até achar um monte de pessoas aglomeradas. Todas olhavam para algo que vinha do céu. As pessoas estavam paralisadas como estatuas, não piscavam e nem respiravam, mas Sarah sentia que elas ainda estavam vivas. Sarah tentou enxergar o que vinha do céu, mas não conseguiu ver nada. Quando baixou os olhos para si mesma viu que estava totalmente despida e que agora todas as pessoas olhavam para ela. Um clarão se formou no céu, um barulho ensurdecedor com o de uma bomba começou a estremecer o chão. Uma figura desceu do céu infinito pousando aos pés de Sarah. Algum tipo de anjo com asas negras e de manto negro segurava uma foice. Sarah queria gritar mas sua voz não saia. O anjo negro foi se aproximando. Ela tentava enxergar o rosto do anjo mas estava coberto pelo manto. As pessoas que até então estavam paralisadas, começaram a aplaudir o anjo negro. Ele foi se aproximando cada vez mais de Sarah, cuja estava tremendo de frio e medo. Sarah tentou correr, mas continuou imóvel.  O anjo ficou frente com Sarah, ele ergueu sua foice. As pessoas aplaudiam e gritavam loucamente em louvor ao anjo negro. Sarah sentiu que era seu fim. O anjo desceu a foice com toda a força sobre Sarah.

O despertador tocou bem a tempo. Sarah deu um pulo do sofá. Suas mãos estavam frias e ela suava muito.
Tentou se acalmar com um chá e funcionou. Sarah estava atrasada para entrevista no programa de Walter Holt. Um dos programas de fofocas mais influente em NY. Sarah não se importava em expor sua vida e o seu passado em programas, o importante era quanto a pagavam por isso.

O banho foi rápido.
Sarah tirou o carro da garagem e partiu ao encontro de Walter e sua produção de fofoqueiros.
Ela tentava esfriar a cabeça, mas depois daquele pesadelo, cada suspiro parecia ser o último.

SUSPIRO - Página 3

O dia amanheceu e ainda chovia. A chuva agora estava fraca. Era pela sexta-feira, o relógio marcava seis horas e vinte minutos. Sarah preferiu ir andando até o serviço do que ir de carro. Colocou sua chamativa capa de chuva rosa, comeu uma maça e foi-se.
O céu estava cinzento, no fone de ouvido Sarah ouvia A Year Without Rain de Selena Gomez.
Chegou na emissora com as calças encharcadas, foi até o camarim e se trocou. Quando saiu viu muita gente espantada. Uma mulher chorava no chão com duas outras mulheres tentando acalmá-la. Sarah não entendia o que se passava.
Foi até o seu estúdio e viu Brad conversando com Alice De Jude, a diretora do jornal.
- O que houve? – quis saber Sarah
- Não se sabe muito bem... – começou Brad
- O senhor McStill...- Alice começou, mas Sarah a interrompeu.
- Quem ?
- O senhor McStill ! Você não conhece?- Perguntou Brad
Sarah fez que não com a cabeça.
- Bem... o senhor Richard Menson McStill é o dono da emissora! – disse Alice.
- Sim... Eu não cheguei a conhecê-lo ainda...- falou Sarah – Quem me contratou foi um acessor dele.
- E nem vai conhecê-lo...- disse Alice
- Por que?
- O senhor McStill foi encontrado morto. – falou Brad – Um tiro na testa.
Sarah sentiu um calafrio.
- Coitado... – foi a única coisa que Sarah conseguiu dizer.
- Bem ... – começou Alice – A família deve estar arrasada. Vou ver se consigo me encontrar com a esposa dele, a senhora  Abby McStill.
Alice deixou o estúdio.
- Então... – falou Sarah – Não vamos gravar hoje ??
- Acho q não, mas ainda preciso conversar com Alice.
- A Alice não pode deixar a gente esperando. Eu tenho outros compromissos. 

SUSPIRO - Página 2

Andou com passos largos sobre o chão de madeira, muitas pessoas lhe deram bom dia e a abraçaram, pessoas que ela nem conhecia. Ela não agüentava mais ter quer sorrir para as pessoas quando na verdade o que queria era encarar todos com um olhar frio. Ela torcia para chegar logo no estúdio, e sair da multidão que perambulava pelos corredores.
Enfim chegou ao estúdio 5, onde ficava o cenário do tele jornal. Sarah juntamente com seu colega de serviço Brad Lopes, apresentaram o jornal.
Encerrado o programa foram tomar chocolate quente no restaurante da emissora.
- Você não consegue deixar de ser encantadora... – disse Brad
- Obrigada...você é que é um amor Brad! – Sarah se sentia mais a vontade quando estava junto á Brad. Eles trabalhavam juntos á oito meses e eram grandes amigos.
Sarah olhou de relance para seu reflexo no porta guardanapos, estava realmente fabulosa. Estava usando uma roupa que dizia ‘não sou uma velha, mas também não sou uma assanhada’.
- Então... hoje vai chover...não é mesmo ?- Brad tomava seu chocolate distraidamente.
- Sim. Pelo menos é o que diz a meteorologista. – Sarah sem querer sorriu
- Tem programa pra sábado á noite?
-  È ...- Sarah ficou sem palavras.
- Tem ou não?
- Não! – respondeu Sarah
- Eu estava pensando se a gente poderia sair...tipo para jantar ou para dançar...
- Me diz Brad...você pode ter qualquer garota. Por que quer sair comigo ?
- Você é especial...
- Tá bom... - Sarah ficou vermelha e sorriu novamente.
- Te pego ás nove! – Brad se levantou e deixou o dinheiro da conta em cima da mesa, caminhou até Sarah e lhe deu um beijo na testa.
Sarah ficou pensando se ela estava fazendo a coisa certa.
“Faz algum tempo que não saio” disse pra si mesma “ Vai ser legal, vai ser bom pra mim, não posso ficar o tempo todo trancafiada dentro de casa”.
Sarah chegou em casa antes da tempestade. O chão tremia ao som dos trovões. O livro que ela lia sentada no sofá chamava-se A INFELIZ VIDA DE KELLY PHILLPIS. Naquela noite Sarah foi dormir cedo, era mais ou menos umas dez da noite.
                                                                                                                                                                  

SUSPIRO - Página 1

Capítulo 1
Pesadelo


Num dia chuvoso, exatamente ás 14:27, um sujeito com capa de chuva rosa e um Milk Shake de chocolate nas mãos atravessava a rua 23 em NY. O rosto de Sarah não negava o seu passado.
Chegou em casa, abriu a caixa de correspondência e lá estavam cartas de milhares de fãs. Sarah abriu a porta e abriu um envelope, jogando os outros na mesa da cozinha. Deixou sua bolsa no sofá e subiu as escadas até o seu quarto lendo a carta que dizia:

Sarah,
DESEJAMOS TUDO DE BOM PRA VOCÊ ! VOCÊ VAI CONSEGUIR ESQUECER ESSA TRAGÉDIA E SUPERÁ-LA. NOS EMOCIONAMOS ASSISTINDO A SUA ENTREVISTA NO PROGRAMA DA OPRAH!
MELHORAS ...
De suas fãs Amy e Trish


Sarah rasgou a carta juntamente com as outras e as atirou no lixo. Por um momento todo o seu passado veio á tona.
Lembrou-se das várias vezes em que foi quase assassinada por sua melhor amiga , Luiza,  lembrou-se do rosto dela sangrando após levar um tiro do Detetive Matheus. Neste mesmo dia, Sarah, havia levado um tiro de Alberto June Campos, pai e cúmplice de Luiza. Mas graças aos deuses Luiza, nem Alberto sabiam que ela estava usando um colete á prova de balas.
Sarah sentiu um arrepio ao lembrar disso. Foram dois anos e sete meses de consultas á psicólogos para se recuperar do trauma. E hoje ela era uma bela e influente repórter do canal 17. Uma garota respeitada e prestigiada pela sua coragem e determinação.
Sua amiga Luiza havia morrido, mas o paradeiro de Alberto ainda era desconhecido em todo o mundo. E isso a deixava desconfortável, como se ele fosse reaparecer a qualquer momento e iniciar novamente aquela horrorosa matança.
Sarah assistiu televisão até ás três da madrugada. Sarah quase não dormia, ia sempre dormir  três ou cinco da madrugada e acordava sete horas da manhã para o trabalho.
Ela chegou cedo no serviço. Algumas pessoas não gostavam mas Sarah não se importava em estacionar o seu carro no espaço de número 666, não ‘estava nem ai’ se fosse ou não o número da besta. Ela não tinha fé em mais nada, muito menos em Jesus.