quinta-feira, 19 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 8

- Você tem que se acalmar Sarah! – insistia Brad – Me diga, o que Walter Holt disse a você? Se ele tiver te dito alguma coisa, eu juro que eu...
- Não Brad! – Sarah o interrompeu – Eu já passei por isso entende!
- Vá pra casa descansar, Sarah – continuava a insistir Brad – Relaxe e fique bem bonita pro nosso encontro hoje a noite. – Brad sorriu.
- Olhe! Eu vou embora mesmo. Eu nem sei por que eu vim parar aqui! Eu nem sei por que eu achei que podia confiar em você e me desabafar com você!
- Sarah eu não estou te menosprezando! Jamais! Só não quero que você se encabule com isso e fique louca pelos cantos.
- Escute o que vou te dizer! Isso não foi um acidente! - Sarah olhou fixamente nos olhos de Brad esperando que ele dissese algo. Ele nada disse. Então ela continuou – Eu vou embora e me arrumar pro nosso encontro.
Sarah deu um beijo no rosto de Brad e foi-se.

Chegou em casa e abriu seu notbook. Pesquisou no Google: Família McStill.
Leu vários artigos sobre a família.
Depois de fechar o notbook disse para si mesma:
- Richard e Abby McStill já eram agora só restam os filhos Jack e Chloe, e a avó Maggie.

Sarah passou a tarde inteira atordoada. Mal conseguiu se arrumar sem ter pensamentos ruins

“Está acontecendo tudo de novo” pensou Sarah “os assassinatos, a matança...tudo de novo! Só que desta vez não é comigo...é com a família McStill”

SUSPIRO - Página 7

Os outros e-mails eram de fãs. Sarah leu uns 36 e ficou com preguiça de ler o resto. Excluiu todos e desligou o notbook.
Ela sentou no sofá, e ligou a TV.

“[...]segundo informações da polícia ela teria se enrolado, por acaso, em uma linha solta do cobertor e sido estrangulada por si mesma até a morte” disse a repórter no canal 3.

Sarah pegou o controle para mudar de canal.
“Realmente uma terrível fatalidade do destino” – disse o outro repórter – “Primeiro o assassinato do marido e agora a esposa morre acidentalmente enforcada. O que será da família McStill?”

Sarah deixou o controle cair.
“Pobre Abby McStill.” – disse o a primeira repórter -  “Uma mulher tão respeitada em todo mundo...”
- Oh meu Deus ! – disse Sarah para si mesma – Como assim? Ela mesma se enforcou?

Sarah tentou ligar para Brad, mas só caia em caixa postal. Ela tirou o carro da garagem e foi procurá-lo.
Sarah parecia uma louca no volante, por pouco não bateu em três carros, quando cruzava a avenida da esquina.
Enfim chegou até a casa onde Brad morava. A empregada abriu a porta e Sarah entrou como uma desesperada.
- Brad ! Brad onde está você? – gritava Sarah.
- Acalme-se minha senhora – falou a empregada
- O que foi ? – disse Brad ao descer as escadas
- Brad! – Sarah o abraçou – Você já soube?
- Infelizmente sim, mas o que aconteceu ? – Brad estava preocupado
- Como assim ‘o que aconteceu’? Abby McStill foi assassinada!
- Claro que não! Eu sei o que está acontecendo! Aquilo não foi um acidente! Pode ter sido um acidente para aqueles policiais idiotas, mas pra mim não! Não é possível uma pessoa inteligente como a senhora Abby McStill ter se enrolado sem querer em uma corda e ter sido enforacada durante a noite!

A empregada lhe trouxe um calmante e um copo d’água. Sarah engoliu o comprido tremendo. Brad tentou acalmá-la.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 6

como um rei sentando no seu trono.
O contra regras se dirigiu em frente as câmeras e disse:
- Todos preparados? E em 6...5...4...3...2...GRAVANDO !!
Os holofotes brilhavam intensamente.
- Boa tarde queridos telespectadores! – disse Walter, dando um enorme sorriso falso. – Estamos começando agora mais um programa diretamente da LSC estúdios, e é com muita honra, que estamos recebendo, nada mais, nada menos que Sarah Larrive!!
Os holofotes agora se miravam em Sarah.
- É um prazer para mim estar aqui no seu programa, Walter – disse Sarah
- É obvio que todos que estão nos assistindo nesse momento, sabem quem é Sarah Larrive e conhecem muito bem a sua história de vida. – Walter deu uma pausa para poder respirar – Ela ganhou muita fama por ser a única sobrevivente do massacre ocorrido a três anos atrás e hoje trabalha como jornalista na televisão. – Walter pausou novamente para respirar e depois se dirigiu a Sarah – E então Sarah... Como é a sua vida hoje em dia ? Você conseguiu superar esse trauma ?
- Bem ... a minha vida hoje em dia é super normal, como a de qualquer outra pessoa, eu tento voltar a ser a mesma Sarah de antes, mas é bem complicado. Quanto ao meu trauma... eu continuo visitando psicólogos todo final de mês e está sendo muito bom pra mim por que eles sempre me fazem refletir sobre o que eu sou e o que me resta pela frente.

O resto da entrevista foi tudo tranqüilo. Sarah conseguiu responder a todas as perguntas de Walter Holt sem se prejudicar, exceto quando ele a perguntou qual era a sua religião e se ela ainda lia a Bíblia Sagrada. Sarah respondeu que não tinha religião e que a Bíblia foi a única maneira que o ser humano encontrou de manipular o próximo.

A entrevista terminou exatamente ás 17:30. Sarah parou em frente ao McDonald’s para lanchar. E depois passou em algumas lojas para fazer compras. No final da tarde o carro de Sarah já estava inundado de sacolas de lojas de grife.
Chegou em casa e tomou um longo banho. Caiu na cama esperando que não houvesse mais pesadelos. Por mais incrível que pareça, ela consegui dormir cedo naquele dia.
Sarah acordou com a luz do sol em seu rosto. Comeu uma ou duas panquecas e abriu seu notbook para ver seu e-mail.
472 novas mensagens. Uma delas era de Brad. Sarah leu:
Não se esqueça de nós!!!! Hoje ás 9 !! Bjos...

Sarah estava mesmo começando a sentir algo por Brad. Às vezes ela se encontrava pensando nos lindos cabelos loiros de Brad , em seus braços, seu corpo.

SUSPIRO - Página 5

Capítulo 2
A Família McStill

Walter Holt fez questão de esperá-la na entrada da emissora LSC. Walter estava com um sorriso tão largo que até mesmo Sarah estranhou.
- Mas que honra! – começou Walter – É um prazer tela aqui na LSC. Depois tenho que ligar para sua emissora em agradecimento por deixarem você vir até aqui.
- Não há de quer Walter – disse Sarah – e você está cada vez mais charmoso. Olhem só! Como os anos lhe fizeram bem, me lembro assistindo o seu programa anos atrás e você não estava tão elegante. – Sarah teve vontade rir. Walter estava tão ridículo usando aquele suéter verde, cujo não o deixava nada esbelto.
- É verdade. Tenho que concordar que estou mesmo irresistível. – disse Walter - Andei fazendo uma ou duas plásticas mas mesmo sem elas eu ainda era realmente bonito. Não é todo homem que consegue chegar aos 50 com essa aparência tão ...
- É melhor entrarmos – Sarah o interrompeu, não agüentava mais escutar tanto absurdo.

Walter a conduziu, mostrando cada canto da emissora até chegar ao estúdio. O cenário era lindo. Um sofá branco feito de couro para os convidados, uma mesa de vidro e uma poltrona para Walter entrevistar as pessoas, e por fim um lustre impecável do século XIX.
- A entrevista é ao vivo e começa em doze minutos. – disse Walter
- Ótimo! Então... Não tem nenhum texto? Alguma coisa para eu ler ou revisar? Eu não quero parecer uma boba se me perguntar alguma coisa que não sei.
- Mas é claro que não! – disse Irina, a diretora do programa, ela estava atrás de Sarah – Fique tranqüila minha querida! É só responder apenas a verdade. Entendeu?
Sarah fez que sim com a cabeça.
- Que graça teria o ‘show business’ se fosse tudo uma farsa. – falou Walter – Deixe tudo fluir de dentro de você.
Sarah sorriu. Ela sabia muito bem o que Irina e Walter queriam: arrancar alguma coisa dela que a deixasse constrangida em público.

Os doze minutos demoraram a passar. Sarah ficou folheando revistas e sendo obrigada a prestar atenção no Walter tinha a dizer.
Enfim o contra-regras gritou: “40 segundos para o programa !!! Todos em seus lugares !”
Sarah se ajeitou no sofá, enquanto Walter sentava-se na poltrona completamente imponente, 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SUSPIRO - Página 4

- Olha! Se você quiser pode ir embora descansar. Depois eu digo pra Alice que você teve que sair urgentemente. Mas... Não se esqueça do nosso compromisso amanhã...
- OK! Pode ficar tranqüilo não vou esquecer. Mas eu vou ficar! Depois a Alice pode achar que eu estou com preguiça de trabalhar.
Sarah e Brad não gravaram naquele dia. Ficaram apenas caminhando prá lá e pra cá pelos corredores ajudando aos familiares da família McStill que estavam desamparados.
Depois das  onze da manhã, quando a chuva parou, Sarah foi embora da emissora. Pegou uma carona até a esquina de sua casa. A Ferrari Vermelha de Brad era incrivelmente confortável.
Chegou em casa abatida pelo cansaço. Caiu no sofá e dormiu.
O pesadelo de Sarah começou assim:

Ela estava  andando numa rua deserta, pelo frio que sentia devia estar fazendo cinco graus abaixo de zero.  Sarah começou a correr procurando por alguém. Andou muito até achar um monte de pessoas aglomeradas. Todas olhavam para algo que vinha do céu. As pessoas estavam paralisadas como estatuas, não piscavam e nem respiravam, mas Sarah sentia que elas ainda estavam vivas. Sarah tentou enxergar o que vinha do céu, mas não conseguiu ver nada. Quando baixou os olhos para si mesma viu que estava totalmente despida e que agora todas as pessoas olhavam para ela. Um clarão se formou no céu, um barulho ensurdecedor com o de uma bomba começou a estremecer o chão. Uma figura desceu do céu infinito pousando aos pés de Sarah. Algum tipo de anjo com asas negras e de manto negro segurava uma foice. Sarah queria gritar mas sua voz não saia. O anjo negro foi se aproximando. Ela tentava enxergar o rosto do anjo mas estava coberto pelo manto. As pessoas que até então estavam paralisadas, começaram a aplaudir o anjo negro. Ele foi se aproximando cada vez mais de Sarah, cuja estava tremendo de frio e medo. Sarah tentou correr, mas continuou imóvel.  O anjo ficou frente com Sarah, ele ergueu sua foice. As pessoas aplaudiam e gritavam loucamente em louvor ao anjo negro. Sarah sentiu que era seu fim. O anjo desceu a foice com toda a força sobre Sarah.

O despertador tocou bem a tempo. Sarah deu um pulo do sofá. Suas mãos estavam frias e ela suava muito.
Tentou se acalmar com um chá e funcionou. Sarah estava atrasada para entrevista no programa de Walter Holt. Um dos programas de fofocas mais influente em NY. Sarah não se importava em expor sua vida e o seu passado em programas, o importante era quanto a pagavam por isso.

O banho foi rápido.
Sarah tirou o carro da garagem e partiu ao encontro de Walter e sua produção de fofoqueiros.
Ela tentava esfriar a cabeça, mas depois daquele pesadelo, cada suspiro parecia ser o último.

SUSPIRO - Página 3

O dia amanheceu e ainda chovia. A chuva agora estava fraca. Era pela sexta-feira, o relógio marcava seis horas e vinte minutos. Sarah preferiu ir andando até o serviço do que ir de carro. Colocou sua chamativa capa de chuva rosa, comeu uma maça e foi-se.
O céu estava cinzento, no fone de ouvido Sarah ouvia A Year Without Rain de Selena Gomez.
Chegou na emissora com as calças encharcadas, foi até o camarim e se trocou. Quando saiu viu muita gente espantada. Uma mulher chorava no chão com duas outras mulheres tentando acalmá-la. Sarah não entendia o que se passava.
Foi até o seu estúdio e viu Brad conversando com Alice De Jude, a diretora do jornal.
- O que houve? – quis saber Sarah
- Não se sabe muito bem... – começou Brad
- O senhor McStill...- Alice começou, mas Sarah a interrompeu.
- Quem ?
- O senhor McStill ! Você não conhece?- Perguntou Brad
Sarah fez que não com a cabeça.
- Bem... o senhor Richard Menson McStill é o dono da emissora! – disse Alice.
- Sim... Eu não cheguei a conhecê-lo ainda...- falou Sarah – Quem me contratou foi um acessor dele.
- E nem vai conhecê-lo...- disse Alice
- Por que?
- O senhor McStill foi encontrado morto. – falou Brad – Um tiro na testa.
Sarah sentiu um calafrio.
- Coitado... – foi a única coisa que Sarah conseguiu dizer.
- Bem ... – começou Alice – A família deve estar arrasada. Vou ver se consigo me encontrar com a esposa dele, a senhora  Abby McStill.
Alice deixou o estúdio.
- Então... – falou Sarah – Não vamos gravar hoje ??
- Acho q não, mas ainda preciso conversar com Alice.
- A Alice não pode deixar a gente esperando. Eu tenho outros compromissos. 

SUSPIRO - Página 2

Andou com passos largos sobre o chão de madeira, muitas pessoas lhe deram bom dia e a abraçaram, pessoas que ela nem conhecia. Ela não agüentava mais ter quer sorrir para as pessoas quando na verdade o que queria era encarar todos com um olhar frio. Ela torcia para chegar logo no estúdio, e sair da multidão que perambulava pelos corredores.
Enfim chegou ao estúdio 5, onde ficava o cenário do tele jornal. Sarah juntamente com seu colega de serviço Brad Lopes, apresentaram o jornal.
Encerrado o programa foram tomar chocolate quente no restaurante da emissora.
- Você não consegue deixar de ser encantadora... – disse Brad
- Obrigada...você é que é um amor Brad! – Sarah se sentia mais a vontade quando estava junto á Brad. Eles trabalhavam juntos á oito meses e eram grandes amigos.
Sarah olhou de relance para seu reflexo no porta guardanapos, estava realmente fabulosa. Estava usando uma roupa que dizia ‘não sou uma velha, mas também não sou uma assanhada’.
- Então... hoje vai chover...não é mesmo ?- Brad tomava seu chocolate distraidamente.
- Sim. Pelo menos é o que diz a meteorologista. – Sarah sem querer sorriu
- Tem programa pra sábado á noite?
-  È ...- Sarah ficou sem palavras.
- Tem ou não?
- Não! – respondeu Sarah
- Eu estava pensando se a gente poderia sair...tipo para jantar ou para dançar...
- Me diz Brad...você pode ter qualquer garota. Por que quer sair comigo ?
- Você é especial...
- Tá bom... - Sarah ficou vermelha e sorriu novamente.
- Te pego ás nove! – Brad se levantou e deixou o dinheiro da conta em cima da mesa, caminhou até Sarah e lhe deu um beijo na testa.
Sarah ficou pensando se ela estava fazendo a coisa certa.
“Faz algum tempo que não saio” disse pra si mesma “ Vai ser legal, vai ser bom pra mim, não posso ficar o tempo todo trancafiada dentro de casa”.
Sarah chegou em casa antes da tempestade. O chão tremia ao som dos trovões. O livro que ela lia sentada no sofá chamava-se A INFELIZ VIDA DE KELLY PHILLPIS. Naquela noite Sarah foi dormir cedo, era mais ou menos umas dez da noite.
                                                                                                                                                                  

SUSPIRO - Página 1

Capítulo 1
Pesadelo


Num dia chuvoso, exatamente ás 14:27, um sujeito com capa de chuva rosa e um Milk Shake de chocolate nas mãos atravessava a rua 23 em NY. O rosto de Sarah não negava o seu passado.
Chegou em casa, abriu a caixa de correspondência e lá estavam cartas de milhares de fãs. Sarah abriu a porta e abriu um envelope, jogando os outros na mesa da cozinha. Deixou sua bolsa no sofá e subiu as escadas até o seu quarto lendo a carta que dizia:

Sarah,
DESEJAMOS TUDO DE BOM PRA VOCÊ ! VOCÊ VAI CONSEGUIR ESQUECER ESSA TRAGÉDIA E SUPERÁ-LA. NOS EMOCIONAMOS ASSISTINDO A SUA ENTREVISTA NO PROGRAMA DA OPRAH!
MELHORAS ...
De suas fãs Amy e Trish


Sarah rasgou a carta juntamente com as outras e as atirou no lixo. Por um momento todo o seu passado veio á tona.
Lembrou-se das várias vezes em que foi quase assassinada por sua melhor amiga , Luiza,  lembrou-se do rosto dela sangrando após levar um tiro do Detetive Matheus. Neste mesmo dia, Sarah, havia levado um tiro de Alberto June Campos, pai e cúmplice de Luiza. Mas graças aos deuses Luiza, nem Alberto sabiam que ela estava usando um colete á prova de balas.
Sarah sentiu um arrepio ao lembrar disso. Foram dois anos e sete meses de consultas á psicólogos para se recuperar do trauma. E hoje ela era uma bela e influente repórter do canal 17. Uma garota respeitada e prestigiada pela sua coragem e determinação.
Sua amiga Luiza havia morrido, mas o paradeiro de Alberto ainda era desconhecido em todo o mundo. E isso a deixava desconfortável, como se ele fosse reaparecer a qualquer momento e iniciar novamente aquela horrorosa matança.
Sarah assistiu televisão até ás três da madrugada. Sarah quase não dormia, ia sempre dormir  três ou cinco da madrugada e acordava sete horas da manhã para o trabalho.
Ela chegou cedo no serviço. Algumas pessoas não gostavam mas Sarah não se importava em estacionar o seu carro no espaço de número 666, não ‘estava nem ai’ se fosse ou não o número da besta. Ela não tinha fé em mais nada, muito menos em Jesus.